Régis Pitbull, ex-Corinthians, volta a viver nas ruas em meio à luta contra o crack
A trajetória de Régis Pitbull, ex-atacante de Corinthians, Vasco e Ponte Preta, voltou a chamar atenção, mas por uma razão distante dos gramados. Aos 49 anos, o ex-jogador vive novamente nas ruas de São Paulo e enfrenta uma batalha contra a dependência química, especialmente o vício em crack, conforme noticiou o ge nesta quarta-feira (2). O caso expõe o lado mais duro de uma história que já teve momentos de fama, dinheiro, futebol profissional e também diversas tentativas de recomeço.
Régis Fernandes da Silva chegou a viver momentos de destaque no futebol brasileiro. Revelado na década de 1990, o atacante passou por clubes de peso, além de ter construído parte da carreira no exterior. Apesar de poucos jogos no Timão, antes defendeu o Vasco, onde marcou dois gols em 19 aparições, em 2003. Além disso, vestiu camisas como as de Coritiba, Bahia e Portuguesa. No início dos anos 2000, chegou a atuar no futebol do Japão, da Turquia, Coreia do Sul e dos Emirados Árabes.
A passagem pelo Corinthians aconteceu em 2004. O jogador chegou ao clube que considerava um dos grandes sonhos de sua carreira, mas não conseguiu repetir o desempenho que havia apresentado anteriormente e acabou deixando o Timão no mesmo ano.
Uma luta que já dura anos

O problema com as drogas, entretanto, começou ainda durante a carreira. Régis teve episódios relacionados ao uso de maconha e chegou a ser suspenso após exames antidoping. Com o passar dos anos, o consumo evoluiu para o crack e se transformou em uma dependência que passou a interferir diretamente em sua vida pessoal e profissional.
Em 2019, Régis falou publicamente sobre a situação e reconheceu a dimensão do problema. Em seguida, dois anos mais tarde, o ex-atacante foi internado em uma clínica de reabilitação no interior de São Paulo. Na ocasião, a família e pessoas próximas buscavam uma maneira de ajudá-lo a interromper o ciclo de dependência.
A história ganhou ainda mais repercussão em 2021, quando a ESPN produziu o documentário “Salvem o craque, Salvem do crack”. O trabalho mostrou a trajetória do ex-jogador, desde os anos de sucesso no futebol até a luta contra a dependência química. A produção também ajudou a mobilizar pessoas para que Régis pudesse receber tratamento.
Depois de meses em tratamento, houve um período de recuperação. Em 2022, Régis chegou a trabalhar em uma fábrica de um amigo de infância, em uma tentativa de reconstruir a própria vida longe das drogas, aliás, reportagem da própria ESPN abordou o caso. Naquele momento, ele havia conseguido ficar nove meses sem consumir crack e buscava uma nova rotina.
Recaída e problemas levaram Régis Pitbull a viver nas ruas de São Paulo

A recuperação, porém, não foi definitiva. Nos anos seguintes, voltou a enfrentar problemas relacionados às drogas e, inclusive, também passou por dificuldades pessoais e judiciais.
Em março de 2025, Régis foi preso após agredir um idoso dentro do elevador do condomínio onde morava. De acordo com o ge, o episódio aconteceu em meio a uma série de problemas que o ex-jogador enfrentava, incluindo a batalha contra as drogas e uma ordem de despejo. Assim, o ex-Corinthians e Vasco passou a morar nas ruas do bairro de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo.
Meses depois, em julho de 2025, ele voltou a ser preso na capital paulista após um mandado de prisão ser cumprido pela Polícia Militar.
Da fama no futebol à vulnerabilidade
A história de Régis Pitbull é especialmente marcante pelo contraste entre o passado e o presente. O atacante, que chegou a defender alguns dos principais clubes do país e atuou fora do Brasil, atualmente enfrenta uma realidade marcada pela dependência química e pela vulnerabilidade social.
Em 2021, durante a produção do documentário, familiares já relatavam a dificuldade de convencê-lo a aceitar tratamento. A irmã de Régis, Tiffany, contou à ESPN que a família sonhava em vê-lo recuperado e novamente próximo dos filhos.
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A dependência química, entretanto, é uma condição que pode envolver recaídas e exige acompanhamento contínuo. O próprio histórico de Régis mostra como uma tentativa de recuperação pode ser seguida por novos períodos de dificuldade.

Por isso, o caso do ex-jogador vai além da nostalgia pelo atleta que vestiu camisas importantes do futebol brasileiro. É também o retrato de uma pessoa que, depois de abandonar os gramados, passou anos tentando reconstruir a própria vida e que agora volta a enfrentar uma situação de extrema vulnerabilidade.
A história de Régis Pitbull, do mesmo modo, serve para lembrar que a dependência química não desaparece necessariamente após uma internação ou um período de abstinência. O caminho de recuperação pode ser longo, com avanços, recaídas e necessidade de uma rede permanente de apoio.

