Atlético-MG supera Del Valle e está na decisão da Sul-Americana (Foto: Pedro Souza/Atlético)
Atlético-MGClubesColunistasFutebolFutebol BrasileiroSul-Americana

O Atlético-MG que renasce em noite perfeita; Galo na final da Sul-Americana

Há noites em que o futebol parece querer contar uma história. E na Arena MRV, o narrador foi o próprio Atlético-MG, classificado para a final da Copa Sul-Americana. Desde o primeiro toque na bola, o Galo mostrou que não estava ali apenas para vencer o Independiente del Valle — estava ali para redescobrir-se, para provar a si mesmo que ainda sabe ser o Galo forte, vingador e implacável.

Logo aos dois minutos, Júnior Alonso subiu ao céu e obrigou Villar a um milagre. Era o prenúncio de um rolo compressor alvinegro. Sob a batuta de Jorge Sampaoli, o time mineiro jogou como um vendaval os primeiros 45 minutos. A pressão era sufocante, o Del Valle sequer respirava. E nesse turbilhão, três nomes se ergueram como personagens centrais: Dudu, em noite iluminada, e Guilherme Arana, que parece ter renascido sob o comando do treinador argentino, e Bernard.

Atlético-MG na final da Sul-Americana: Dudu e Bernard brilham; Hulk sela a classificação

Foi de Arana o primeiro golpe — um gol com assinatura de quem reencontrou o prazer de jogar bola. Logo depois, Dudu, que já havia deixado sua marca no jogo de ida, deu duas assistências e comandou o espetáculo com a elegância de quem sabe que o seu momento, finalmente, chegou. Bernard, o talismã de 2013, completou o segundo gol em jogada de pura sintonia, como se o tempo entre o “eu acredito” e o presente fosse apenas uma vírgula.

Um Galo que ninguém havia visto em 2025 deu as caras. Intenso, coletivo, pulsante. Pressionando, por vezes, com três à frente, mordendo o adversário, jogando o jogo de Sampaoli em sua forma mais pura: ritmo alto, ambição e coragem. Era, enfim, o Atlético-MG que sua torcida tanto esperava ver.

Mas o futebol, por natureza, exige drama. Aos 18 do segundo tempo, Arroyo chutou forte, Everson rebateu, e Spinelli descontou para o Del Valle. O jogo, que até então era um baile, passou a ter tons de certa apreensão. O torcedor respirava pela metade, e a tensão flutuava sobre o gramado belo-horizontino.

Foi então que o destino, caprichoso como sempre, guardou o melhor para o minuto 73. Hulk, o herói de tantas noites e símbolo da era recente do Galo, recebeu em profundidade, a bola desviou, e o caminho se abriu. Cara a cara com Villar, tocou de leve — como quem sela um pacto — e correu para o abraço. Quis o futebol que o gol que selasse a vaga viesse justamente de quem há 15 jogos não balançava as redes. Um dos maiores da história, acostumado a jogo grande, reencontrava sua essência. O banco inteiro correu para abraçá-lo, como se ali estivesse condensada toda a redenção de um time.

O Galo, enfim, voltou a cantar. E o continente inteiro escuta

O placar final — 3 a 1 — é apenas o registro estatístico de uma noite que pertence à memória. Uma noite que lembrou ao torcedor por que ele acredita. O Atlético, afinal, vive seus melhores momentos na temporada sob Sampaoli. Se no Brasileirão a jornada é melancólica, é no mata-mata continental que o Galo deposita sua alma, sua fúria e sua esperança.

Pelo quinto ano consecutivo, um brasileiro estará na decisão. Mas desta vez é o Atlético-MG quem carrega a bandeira na final da Copa Sul-Americana. O Cruzeiro falhou nessa missão em 2024, e o futebol, tão hábil em escrever ironias, devolve agora a chance ao rival alvinegro. Em 22 de novembro, em Assunção, o Galo poderá conquistar a taça que o Brasil não levanta desde 2021 — e, mais do que isso, poderá coroar uma temporada de recomeço, em que a fé e o talento voltaram a caminhar lado a lado.

Foi uma noite de nomes próprios — Dudu, Arana, Bernard, Hulk —, mas acima de tudo, foi a noite de um coletivo que se reencontrou com sua própria história. O Galo, enfim, voltou a cantar. E quando o Galo canta, o continente inteiro escuta.

ATLÉTICO X IND. DEL VALLE - 28.10.2025 COPA SULAMERICANA #SemiFinais

Foto: Pedro Souza / Atlético