Paulinho: exemplo de resiliência e superação do time de Abel Ferreira (Cesar Grecco/Palmeiras)
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Palmeiras vence com alma e tática, enquanto Botafogo tropeça em suas próprias promessas

No calor tenso (e sob sol intenso) de um duelo brasileiro em solo internacional, o Palmeiras venceu o Botafogo por 1 a 0 nas oitavas de final do Mundial de Clubes da FIFA e mostrou, mais uma vez, por que é um time moldado para competir nos grandes palcos. Foi uma vitória com cheiro de batalha e suor de estratégia. Foi, sobretudo, um jogo de identidade — e o Palmeiras sabe exatamente quem é.

O roteiro da partida não se desviou do esperado: intensidade, nervos à flor da pele e um duelo de estilos. Mas só um deles entrou em campo com um plano claro e capacidade para executá-lo. O time de Abel Ferreira, fiel à sua cartilha, fez do jogo uma maratona de duelos físicos, imposição coletiva e, quando preciso, de talento individual. Coube a Paulinho, no primeiro tempo da prorrogação, o lampejo decisivo. Um chute de rasteiro, que dormiu manso na rede, e liberou o grito de um elenco que parecia saber, desde o primeiro minuto, o tamanho da missão e que ela seria concretizada.

Colapso do Botafogo e competitividade incansável do Palmeiras

A análise fria aponta para um domínio alviverde desde os primeiros minutos. Mesmo sem sufocar tanto o adversário, embora tenha criado boas chances e obrigado o goleiro John a ser o principal nome do Glorioso em campo. O Botafogo até ensaiou uma marcação mais alta, tentou pressionar a saída de bola, mas esbarrou em limitações técnicas e, sobretudo, em uma certa desorganização e apatia, que só aumentava com o passar do tempo.

Enquanto isso, o Palmeiras impunha ritmo. Ditava o jogo, primeiramente, com menção mais que honrosa a um Richard Ríos incansável. Um sistema defensivo muito sólido com o Gómez, agora desfalque, e Fuchs, que literalmente botou a cara para manter a baliza à zero. Nas laterais, Giay e Piquerez em tarde praticamente irretocável. O maior Palmeiras x Botafogo da história, teve um final feliz com a cor da esperança. Esperança, aliás, de quem não desiste e quer fazer história pro mundo inteiro ver.

O trabalho de Renato Paiva no Botafogo, tão promissor em outros momentos, colapsou quando mais importava. A proposta de jogo — de posse, de construção desde trás, de protagonismo — entretanto, virou peso. O time parecia refém de uma ideia que não conseguia executar, e mesmo as trocas no segundo tempo não surtiram efeito.

Se o jogo tinha tons de final para os dois lados, só um deles jogou com essa urgência. O Palmeiras correu mais, competiu mais e teve algo que muitas vezes decide em mata-mata: um diferencial técnico num momento-chave. Paulinho, que já vinha se destacando no torneio, mostrou por que é uma dos maiores acertos técnicos do Alviverde. Mesmo podendo atuar pouco, cerca de 30 minutos por jogo, devido ao grave problema na canela, seu gol foi o ponto de exclamação de uma atuação coletiva madura, segura e, acima de tudo, consciente. Paulinho é o exemplo de superação e resiliência, tão marcantes desse Palmeiras com a cara, a cabeça fria e o coração quente de Abel Ferreira.

Verdão encara o Chelsea e Glorioso, sem treinador, agora recolhe os cacos da derrota

Por fim, o Palmeiras avança com justiça e autoridade. O Botafogo, por sua vez, volta para casa com o amargo gosto de quem fracassou não apenas no resultado, mas naquilo que prometeu ser. E retorna também seu seu treinador, demitido no dia seguinte ao jogo, ainda em solo norte-americano, de forma surpreendente. O discurso ambicioso do treinador não encontrou respaldo em campo, e a eliminação prematura escancara as fragilidades de um projeto que ainda não encontrou estabilidade na temporada, apesar de indícios ao longo do ano.

Já o time de Abel segue firme, com sangue nos olhos e convicções afiadas para encarar um dificílimo Chelsea, que receberá em Londres a joia palmeirense Estêvão ao final da competição. É um Palmeiras que conhece seus caminhos — e que, se não encanta o tempo todo, sabe exatamente como vencer. E no Mundial, isso vale ouro.


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