Homem se passa por Luís Castro, engana jogador do Grêmio e é preso após golpe de R$ 22 mil
Um homem se passou pelo técnico do Grêmio para abordar jogadores por WhatsApp e aplicar estelionato financeiro: é o “golpe do falso Luís Castro”. A fraude terminou com um atleta do clube gaúcho transferindo cerca de R$ 22 mil via Pix para uma conta indicada pelo criminoso. O suspeito acabou preso nesta quarta-feira (2), em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, durante a Operação Falso 9, realizada pelas polícias civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.
O homem, identificado como Lucas de Oliveira Eduardo, de 29 anos, é investigado por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade. De acordo com as autoridades, ele utilizava uma foto de Luís Castro em aplicativos de mensagens para se apresentar como o treinador do Tricolor Gaúcho e estabelecer contato direto com atletas.
A investigação começou depois que quatro jogadores do Grêmio receberam mensagens do número utilizado pelo golpista. A estratégia, porém, ia além de simplesmente pedir dinheiro. Antes de fazer qualquer solicitação financeira, o suspeito procurava construir uma relação de confiança com os atletas, conversando sobre treinos, rotina, família e desempenho dentro de campo.
Enamorado caiu no golpe do falso Luís Castro

Entre os jogadores abordados estava o atacante colombiano José Enamorado, que acreditou estar conversando com Luís Castro. O falso treinador apresentou uma suposta ação social no Rio de Janeiro e pediu ajuda para a compra de cestas básicas.
De acordo com a investigação, o criminoso informou que seriam necessárias 300 cestas básicas, no valor de R$ 75 cada. O pedido totalizava R$ 22,5 mil. Em 6 de maio, ele encaminhou uma chave Pix que, segundo a fraude, pertenceria a uma pessoa responsável pela instituição beneficiada.
A primeira tentativa de transferência não obteve êxito porque ultrapassava o limite diário da conta de Enamorado. O criminoso, então, combinou que o pagamento fosse feito na manhã seguinte e voltou a pedir sigilo ao jogador.
No dia seguinte, a transferência financeira, enfim, acabou concretizada e o “golpe do falso Luís Castro” realizado. Depois de receber o dinheiro, o golpista ainda tentou ampliar o prejuízo. Ele afirmou que outro jogador, que estaria fora do Brasil, também pretendia contribuir com a suposta ação social. A ideia era que Enamorado adiantasse mais R$ 50 mil, referentes a outras 600 cestas básicas, com a promessa de receber o valor de volta posteriormente.
A segunda transferência, no entanto, também esbarrou no limite bancário do jogador. A tentativa frustrada acabou interrompendo a sequência do golpe. O dinheiro transferido anteriormente ainda não havia sido recuperado, segundo as informações divulgadas nesta quarta-feira.
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Golpista também tentou dar ordens a Kannemann
A atuação do falso Luís Castro, aliás, não se restringiu aos pedidos de dinheiro. O zagueiro Walter Kannemann também recebeu mensagens do criminoso.
No contato, o homem se apresentou como o treinador e determinou que o argentino comparecesse mais cedo ao Centro de Treinamento do Grêmio para conversar. Kannemann desconfiou da situação e procurou confirmar a orientação com o clube. Foi então que descobriu que não havia qualquer determinação de Luís Castro.
O suspeito, inclusive, também teria procurado outros jogadores do elenco, entre eles Dodi e Tetê, além de pessoas ligadas ao Internacional. O ex-jogador e dirigente colorado Andrés D’Alessandro recebeu uma abordagem envolvendo dinheiro, mas não prosseguiu com a conversa nem realizou qualquer pagamento.
Suspeito que se passava por Luís Castro já era investigado por golpe

A Operação Falso 9 revelou ainda que o episódio envolvendo o Grêmio não seria um caso isolado. Lucas de Oliveira Eduardo já era investigado no Rio de Janeiro por abordagens semelhantes contra pessoas ligadas ao futebol.
As informações divulgadas pelas autoridades dão conta de que ele teria tentado obter dinheiro do técnico Dorival Júnior no período em que o treinador comandava a Seleção Brasileira. Dirigentes ligados à CBF também receberam abordagens. A investigação ainda busca dimensionar quantas pessoas foram procuradas pelo grupo.
A familiaridade do suspeito com o ambiente esportivo pode ter sido um dos fatores que ajudaram na abordagem. De acordo com o delegado Gabriel Lourenço, ele já atuou como das categorias de base e conhecia a linguagem utilizada pelos atletas.
Além de jogadores do Grêmio e de pessoas ligadas ao futebol gaúcho, a polícia identificou contatos com atletas de outros clubes brasileiros, um jogador de uma equipe europeia e até uma personalidade da música.
Operação Falso 9
A investigação, conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, conta com apoio de unidades da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Nesta quarta-feira, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão em Itaperuna.
No momento da prisão, o suspeito também estava com munições, segundo as informações divulgadas pela polícia e pelos veículos que acompanharam a operação. A prisão ocorreu no bairro São Matheus, em Itaperuna.
As autoridades agora tentam identificar outras possíveis vítimas e descobrir toda a extensão do esquema. O Grêmio informou que não se manifestaria sobre o episódio por considerá-lo uma questão pessoal envolvendo o atleta. Luís Castro também não comentou publicamente o caso até o momento.

