Boavista oferece ajuda à Ponte Preta para pagar transfer bans e emprestar jogadores
A SAF do Boavista ajuda a Ponte Preta a tentar amenizar a grave crise financeira que atravessa o clube campineiro. As partes negociam um acordo que prevê um aporte de aproximadamente R$ 2,5 milhões para quitar três transfer bans que atualmente impedem a Macaca de registrar novos jogadores, além do empréstimo de atletas para a reta final da Série B do Campeonato Brasileiro.
As conversas avançaram nos últimos dias e ganharam caráter de urgência porque a janela de transferências da CBF termina nesta sexta-feira (11). Para inscrever novos jogadores, a Ponte precisa primeiro resolver as pendências que provocaram as punições.
A proposta partiu de Marcelo Pedroza, um dos presidentes da SAF do Boavista e investidor da empresa Arte da Bola, que adquiriu 80% das ações do clube de Saquarema em 2024. De acordo com o ge, as negociações começaram no fim da semana passada e avançaram na terça-feira.
Ponte Preta pode receber de seis a dez jogadores
Além da ajuda financeira na retirada dos bloqueios, o acordo prevê que o Boavista empreste entre seis e dez jogadores à Ponte Preta.
A ideia interessa aos dois lados. Para a Macaca, seria uma maneira de ampliar um elenco que sofreu com a saída de diversos atletas durante a temporada. Para o Boavista, colocar seus jogadores em uma competição como a Série B pode representar uma oportunidade de ganhar experiência e visibilidade.
A Ponte perdeu 19 jogadores ao longo da disputa da Segunda Divisão e chegou a enfrentar partidas com um grupo extremamente reduzido. Em uma das situações mais delicadas, por exemplo, precisou recorrer praticamente exclusivamente às categorias de base para evitar um W.O. durante a paralisação do elenco profissional. Aliás, o rebaixamento está praticamente decretado e a Macaca deve retornar à Série C, competição que venceu em 2025 ao encerrar um jejum de 125 anos sem títulos.
Por isso, uma eventual liberação do transfer ban teria impacto imediato no planejamento para as últimas rodadas e encerrar de maneira digna a competição.
Como funcionaria o acordo de ajuda do Boavista para a Ponte Preta
Ainda não existe uma definição sobre todas as contrapartidas da parceria, conforme informou o ge. No entanto, uma das possibilidades discutidas é que a Ponte Preta trate o dinheiro recebido como um empréstimo. Outra alternativa envolve uma participação do Boavista em eventuais negociações futuras de jogadores formados pelo clube campineiro.

Também está em discussão a possibilidade de uma parte dos recursos ser destinada ao pagamento de salários atrasados de jogadores, profissionais do futebol e funcionários. Esse ponto, entretanto, ainda não está fechado.
A situação financeira da Ponte se agravou ao longo da temporada. Em agosto, os jogadores chegaram a anunciar uma paralisação das atividades por causa dos atrasos salariais. Na ocasião, o elenco afirmou que havia atletas sem receber havia cerca de seis meses.
Macaca acumula três transfer bans
A situação que o Boavista pretende ajudar a resolver envolve três transfer bans: dois aplicados pela Fifa e um pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Inclusive, a Ponte Preta é primeiro clube punido pelo fair play financeiro no futebol brasileiro.
A Ponte está impedida de registrar jogadores há meses e já deixou de utilizar reforços contratados para a sequência da temporada justamente por causa das punições. Em julho, a Fifa aplicou uma nova sanção ao clube em razão de uma dívida relacionada ao zagueiro boliviano Luis Haquin.
O problema, contudo, não é novo. Em maio, a Macaca havia sido punida pela CNRD após deixar de cumprir parcelas de um acordo firmado para quitar dívidas com atletas, treinadores, intermediários e clubes.
Agora, a eventual ajuda do Boavista pode permitir que o clube volte a registrar jogadores justamente na reta final da Série B.
Gilson Kleina ajudou a aproximar os clubes
As conversas também tiveram a participação de Gilson Kleina. O treinador trabalhou no Boavista no início da temporada e ajudou a aproximar as duas partes. Atualmente, a Ponte Preta tenta encontrar soluções para terminar a temporada com um elenco minimamente competitivo, apesar da situação delicada dentro e fora de campo.
A Macaca ocupa a última colocação da Série B, com 10 pontos, e atravessa uma sequência de 20 partidas sem vencer, recorde negativo da história da competição e da própria instituição ao se tornar o clube brasileiro com mais derrotas no século. O próximo compromisso será contra o Sport, nesta quinta-feira (10), às 21h30, na Ilha do Retiro.
Boavista vive momento positivo na temporada
Do outro lado da negociação, o Boavista disputa a final da Copa Rio contra o Nova Iguaçu.
As partidas decisivas estão marcadas para os dias 19 e 26 de setembro. O torneio oferece vagas em competições nacionais de 2027, inclusive com calendário extenso, como a Série D, o que aumenta a importância da decisão para o clube de Saquarema.
Por enquanto, porém, a prioridade das conversas com a Ponte Preta é outra: encontrar uma solução financeira que permita derrubar os transfer bans antes do encerramento da janela.
O tempo, portanto, joga contra a negociação. Se o acordo avançar, a Ponte poderá ganhar dinheiro para resolver as punições e novos jogadores para a reta final da Série B. Para o Boavista, a operação representa a possibilidade de colocar seus atletas em uma competição de maior visibilidade.
As partes ainda precisam definir os detalhes da parceria, mas a expectativa é de que a situação seja resolvida rapidamente por causa do prazo de inscrição de jogadores.

