Fala, Cria! #05: Conheça Kauã Fernandes, destaque da base do Avaí
No quinto episódio da série Fala, Cria!, do Vai Pro Gol, Kauã Fernandes, lateral-direito Sub-20 do Avaí, mostra que o futebol nunca foi apenas uma brincadeira de criança. Aos quatro anos, influenciado pelo pai e pelo tio, que também tiveram suas histórias ligadas ao esporte, começou a jogar futsal e, desde muito cedo, passou a enxergar a modalidade como caminho para a própria vida.
Aos 13, deixou Americana, no interior de São Paulo, para morar em um alojamento da Ponte Preta e dar os primeiros passos em uma carreira que já começava a exigir escolhas e responsabilidades. Foi também na Ponte que o futebol ganhou um significado ainda mais concreto. Com 13 para 14 anos, Kauã assinou seu primeiro contrato de formação e passou a receber R$ 150 por mês. O valor, pequeno diante dos salários do futebol profissional, representava muito para aquele garoto: era seu primeiro dinheiro conquistado através daquilo que amava e motivo de felicidade para um menino que começava a construir seu próprio caminho.
Aos 16, decidiu mudar de rumo. Deixou o time de Campinas, viajou para Santa Catarina para fazer um teste. Aprovado, mudou novamente de cidade e de rotina. Quatro anos e meio depois, o clube catarinense já faz parte de alguns dos capítulos mais importantes de sua trajetória: na base do Avaí, Kauã Fernandes conquistou o Brasileirão Série B Sub-20, assinou seu primeiro contrato profissional e estreou no elenco principal.
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No profissional, também descobriu que aprender futebol vai muito além das quatro linhas. Ao conviver com jogadores experientes como Vagner Love e Eduardo Brock, o garoto observador não deixava passar nenhum detalhes da rotina daqueles que eram suas referências no CT do Leão da Ilha. Dentro de campo, se define como um jogador sério, dedicado, competitivo, intenso e com bom entendimento tático. Fora dele, encontra no videogame uma das formas de descontração.
Aos 20 anos, Kauã mantém os pés no presente, mas não esconde a dimensão dos sonhos: primeiro, conquistar espaço e se estabelecer no profissional; depois, chegar à chamada “primeira prateleira” do futebol, disputar uma Champions League, uma Copa do Mundo e vestir a camisa da Seleção Brasileira. No Fala, Cria!, ele conta como o futebol moldou sua personalidade, relembra momentos marcantes da caminhada e fala sobre os desafios, aprendizados e sonhos que ainda pretende transformar em realidade.
Fala, Cria! #05: Kauã Fernandes, lateral-direito do Avaí
1- Kauã Fernandes, nos conte um pouco da sua história até aqui: como você começou no futebol, qual foi a sua trajetória até chegar ao Sub-17 e, atualmente, Sub-20 do Avaí? Você é de Americana, no interior de São Paulo, passou pela base da Ponte Preta, mas está há anos em Santa Catarina. Como foi todo esse processo?
Eu iniciei minha trajetória muito cedo no futebol. Com 4 anos de idade, meu pai me colocou numa escolinha de futsal. Meu pai sempre jogou muito futsal e campeonato amador, enfim. Meu tio foi jogador profissional de campo, então eu sempre tive muito contato desde cedo e peguei gosto pelo futebol. É uma coisa que eu amo fazer e, por estar desde cedo nesse caminho, já era o que eu imaginava para a minha vida, para a minha carreira. Mesmo muito jovem, em escolinha ainda, bem cedo eu já pensava sobre isso.
– Chegada à Ponte Preta
Tanto que eu começo a jogar de pequenininho, jogo Paulista Sub-11, Paulista Sub-13 e depois eu vou para a Ponte Preta, começar minha vida em categoria de base, onde eu tenho meu primeiro contato de sair de casa, de deixar a família e morar em um alojamento. É uma experiência legal, porque você olha para trás e vê como você era jovem, uma criança ainda, tendo que sair de casa, ter algumas responsabilidades. Com certeza é algo difícil, mas que ajuda na sua trajetória, ajuda no amadurecimento e traz várias lições para você como pessoa.

Cheguei na Ponte Preta e comecei a morar sozinho. Não era tão longe de casa, o Centro de Treinamento ficava em Jaguariúna, perto de Americana, mas como morava lá, passava toda semana lá, treinando, jogando, estudando ali. Comecei a jogar minha primeira competição, o Paulista Sub-15, a gente faz uma campanha interessante, uma campanha legal.
Ali eu assinei também meu primeiro contrato de formação. Na época, me lembro, eu ganhava 150 reais por mês, que para um menino de 14 anos era uma felicidade. Tinha meu dinheirinho, conseguia fazer minhas coisas de moleque, comprar besteira, comprar coisa para higiene, mas era legal.
Quando eu faço 16 anos, opto por sair da Ponte Preta. Já sentia que precisava buscar outra coisa para mim. Aí, com 16, peço para ir embora, eles dão minha liberação e eu vou fazer teste no Avaí, em Santa Catarina, em outro estado.
– Hoje no Sub-20, Kauã Fernandes defende o Avaí desde 2022
Eu praticamente não tinha jogado futebol em outro estado, não sabia como era, não sabia se seria uma boa experiência ou não, mas vim para cá fazer teste. Em menos de uma semana recebi a notícia que tinha passado. Comecei a morar em outro alojamento, em outro estado, com outras pessoas, fazendo amizade nova, me adaptando a uma cidade que, comparada à minha, é muito mais frio, tudo estranho, você não sabia quem eram as pessoas, mas uma experiência bacana. Porque você sai de onde você estava e conhece novos lugares, enfrenta novos times, tudo ali era um aprendizado, é um aprendizado até hoje, mas que foi algo muito interessante para mim.
Aqui no Avaí também realizei um dos meus sonhos, que era me tornar um jogador profissional, assinar meu primeiro contrato profissional. Com 17 anos de idade, no fim do Sub-17 eu assino. Realizo um sonho, uma felicidade imensa de criança que sempre tinha sonhado com esse momento.

Moro aqui há 4 anos e meio já, pude realizar algumas metas, alguns sonhos, como ganhar o Campeonato Brasileiro da Série B do Sub-20 e levantar um título com essa camisa. Consegui também estrear na minha primeira competição profissional, uma Copa Santa Catarina, fazer 6 jogos como profissional. Então, era a realização de mais um sonho, estar ali atuando, estádio, torcida, é um sonho de criança. Depois, volto a jogar no Catarinense, então o Avaí é um clube que, com certeza, me abriu portas e ajudou tanto na minha evolução pessoal, como em algumas metas de vida. Então certamente aqui é um lugar bem interessante e que tenho muita coisa boa para lembrar.
2- Quem é o Kauã Fernandes dentro de campo? Fale das suas características como jogador.
Um atleta muito sério, muito dedicado, com uma vontade de vencer muito grande, cada dividida, cada disputa que tem dentro de campo. Mas, acima de tudo, alguém que aproveita o momento, tem uma boa relação com a bola, uma qualidade, eu diria. Um entendimento tático muito bom, e alguém que se entrega, se entrega todo tempo, todo minuto, não poupa esforço, não poupa corrida e sempre tenta dar o melhor de si.
3- E fora de campo? Nas horas vagas, quando não está treinando ou jogando, o que você mais gosta de fazer? Você tem algum hábito para além do futebol?
Fora de campo sou um cara bem tranquilo, gosto de aproveitar os momentos que tenho fora do ambiente de trabalho para descontrair, para dar boas risadas, e um hábito que me diverte bastante é jogar videogame, é uma coisa que eu gosto muito.
4- Quem é o seu maior ídolo e espelho no futebol? Cite um ou mais jogadores e por quê.
O meu maior ídolo no futebol é o Lionel Messi. Apesar de não ser alguém da minha posição de fato, eu tenho muita admiração por ele. A técnica que ele tem, a qualidade que ele entrega, porque eu acredito no futebol jogado muito na cabeça, pensado, então acho que nenhum jogador que eu vi atuar joga esse jogo melhor do que ele, esse jogo pensado, esse jogo estudado. Enfim, para mim, mesmo não sendo alguém da minha posição, é alguém que obviamente eu admiro por tudo que é, tudo que representa no futebol. É um cara que eu acompanho desde cedo, que certamente é um ídolo para mim.
5- Até hoje, qual ou quais foram os grandes momentos que você viveu no futebol? Aquele momento que ficará pra sempre na sua memória.
Tem dois momentos muito importantes para mim até agora. Um deles é na base, quando a gente ganha o Brasileirão Sub-20 Série B. A gente é campeão e aquele é um momento que me marca bastante, porque é o meu primeiro título na base. E um título é sempre muito bom, sempre maravilhoso. Então é um momento que eu guardo com carinho. É um título importante para o clube. E é um momento que eu sempre vou guardar com bastante carinho.

O segundo é algo mais individual, que é quando eu estreio profissionalmente. É a realização de um sonho. É algo que você lembra cada detalhe: você entrando no campo, escutando o hino, a torcida. Enfim, são coisas que vão te marcando, que te marcam, né? Apesar de você esperar por isso há bastante tempo. E quando acontece, certamente é algo inesquecível.
6- Você já conviveu com o time profissional, teve experiências com o grupo principal do Avaí sendo relacionado e também entrando em campo. Fale sobre essa experiência. O que você carrega pra você desses momentos?
Sem dúvida, é algo muito interessante. Porque eu sou uma pessoa muito observadora. E quando eu chego ali e vejo o tanto de jogador experiente que tinha, por exemplo, Vagner Love, Eduardo Brock, Zé Ricardo… O que me vem na cabeça no começo do ano é assim: “vou observar esses caras e ver o que eles fazem”. Porque eles têm anos de carreira, anos de experiência. E certamente esses caras fazem coisas interessantes, coisas certas, para estarem ali.

Então eu observava muito o horário que eles chegavam, o que eles comiam no café, o que eles faziam antes do treino. E fui tirando coisas boas ali para mim, como chegar cedo e fazer uma ativação no corpo, a mobilidade, o café da manhã ou da tarde que seja, comer bem, alimentar melhor, com mais qualidade. Então, sem dúvidas, são experiências que eu aprendi com eles ali. Observar. E quando eu tinha alguma dúvida dentro de campo, não tinha vergonha de perguntar, tirar uma dúvida ou alguma coisa do tipo. Ou até mesmo como é experiência de jogos, perguntar como foi aquele jogo, aquela semifinal. Perguntava algumas coisas porque eu sempre fui muito curioso para tirar de aprendizado. Mas, sem dúvida, conviver e observar me trouxe bastante coisa positiva.
7- Quais são os maiores aprendizados que o futebol já te ensinou até aqui? No esporte, propriamente, e também na vida.
Acho que o futebol ensina muita coisa. O esporte em si acaba te ensinando muito. Como eu disse antes, você sair de casa uma criança ainda e tendo responsabilidades, tendo que aprender a cuidar das suas coisas. E, em várias situações, você aprende a ter humildade, ter respeito ao próximo, saber que cada um tem a sua história, cada um tem seus problemas, cada um tem a sua vida. E saber respeitar o companheiro, saber conviver. Enfim, acho que o esporte em si ensina muita coisa. Você tem muita coisa para aprender.
8- Quais são os seus objetivos para esta temporada?
Acho que, sem dúvidas, é terminar o ano com o título. Temos a Copa Sul para jogar e o objetivo é ser campeão. E um dos meus objetivos também é subir para o profissional e me estabelecer. Esse é um dos meus objetivos para a temporada.
9- E, pensando em futuro, como você projeta a sua carreira?
Pensando no futuro, eu gosto de pensar muito no passo a passo. Sou uma pessoa que pensa sempre no amanhã e não em cinco anos, mas obviamente que tenho os meus objetivos traçados. Mas eu penso em evoluir, evoluir cada dia, evoluir fisicamente, estaticamente, tecnicamente. Mas, sem dúvidas, penso em subir para o profissional, me estabelecer, evoluir e subir de nível. Explorar o máximo do potencial que eu tenho para, se Deus quiser, poder estar jogando uma Champions League, poder jogar com a camisa da Seleção Brasileira, enfim, jogar grandes competições.
10- Kauã, por fim, quais os maiores sonhos que você tem na vida e no futebol?
Eu acho que meus maiores sonhos no futebol é o me tornar um grande jogador, um jogador de nível, um jogador da primeira prateleira, sem dúvidas. Jogar grandes competições, como eu citei antes, uma Champions League, uma Copa do Mundo, enfim, uma Primeira Liga, uma LaLiga. Estar na primeira prateleira, acho que são os maiores objetivos da minha carreira. E, sem dúvida, também estabilidade financeiramente, estar bem e poder ajudar a família, ajudar as pessoas que necessitam.
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