Análise: Sorteio das oitavas da Libertadores projeta “lado da morte” e reedições de grupos
A definição do chaveamento para o mata-mata da principal competição do continente trouxe um cenário intrigante e altamente competitivo. Conforme o desenho que detalhou o caminho até a grande decisão, o equilíbrio técnico foi pulverizado. Inegavelmente, a força do Pote 2 superou as expectativas, criando um potencial gigantesco para confrontos históricos nas oitavas da Libertadores. Embora o sorteio guardasse grandes possibilidades de clássicos brasileiros, um confronto nacional precoce já rouba os holofotes: o embate explosivo entre Cruzeiro e Flamengo.
Em 2026, chamou a atenção o Palmeiras não avançar na liderança de seu grupo, algo que já havia se tornado banal nas últimas edições. Em segundo no Grupo F, o Verdão recheou o Pote 2, que também teve o Fluminense – aliás, o Tricolor penou para avançar. Mesmo pote que reuniu Cruzeiro, Rosário Central e Estudiantes, por exemplo.
Com a melhor campanha no geral, o Flamengo, atual campeão. Em seguida, surpresas: Independiente Rivadavia, Del Valle e Universidad Católica.
O Cerro Porteño também surpreendeu, bateu o Palmeiras no Allianz e ficou na primeira posição. O Corinthians, tão criticado nas competições nacionais, vem boa campanha, liderou sua chave e só não avançou com campanha melhor entre os primeiros pois escorregou (e feio) contra o Platense em casa na última rodada. E sim, o Coquimbo Unido, ao lado da tradicional LDU de Quito, também figurou no Pote 1, mais uma equipe que baixou (e bem) o nível técnico deste pote.
O temido “lado da morte” com clássicos e potências brasileiras
Ao analisarmos a ala esquerda do diagrama, fica evidente que este setor se transformou na verdadeira “chave da morte” do torneio. O Corinthians, por exemplo, terá uma missão indigesta diante do Rosario Central, clube argentino que fez uma excelente fase de grupos e brigou até as últimas rodadas pela melhor campanha geral. Ademais, quem avançar desse duelo pode cruzar com o vencedor de Estudiantes e Universidad Católica — esta última, inclusive, surpreendeu ao liderar o grupo do Cruzeiro e despachar o tradicional Boca Juniors para os playoffs da Copa Sul-Americana.
Logo abaixo, o bicho pega no único confronto 100% brasileiro desta fase. O Cruzeiro mede forças com o Flamengo em um duelo de gigantes. Além deles, equipes menos cascudas como Deportes Tolima e o sempre perigoso Independiente del Valle algoz de brasileiros em edições recentes, completam esse lado esquerdo altamente complexo. Portanto, para alcançar a final, qualquer sobrevivente deste setor precisará superar um verdadeiro corredor polonês.
Reedições da fase de grupos e os caminhos de Palmeiras e Fluminense
Curiosamente, a ala direita do chaveamento trouxe reencontros imediatos. Três clubes brasileiros vão enfrentar adversários bem conhecidos, afinal, encaram rivais do mesmo grupo da fase anterior: o Mirassol pega a LDU, o Palmeiras reencontra o Cerro Porteño e o Fluminense desafia o Independiente Rivadavia. Vale lembrar que o Alviverde já foi superado pelo Cerro jogando em casa nesta temporada, o que liga o sinal de alerta na Barra Funda.
Apesar disso, Verdão e Flu compartilham o mesmo lado da chave e só se enfrentariam em uma eventual semifinal. Entre os dois, o Tricolor das Laranjeiras teoricamente desfruta de um caminho mais acessível, pois, se avançar, terá pela frente o vencedor de Platense ou Coquimbo Unido. Já o Alviverde, caso passe pelo Cerro, pegará quem sobreviver de Mirassol e LDU.
Finalmente, a grande decisão do torneio está marcada para retornar a Montevidéu. O Estádio Centenário foi justamente o palco onde o Palmeiras superou o Flamengo por 2 a 1 na final de 2021. Com o desenho atual do torneio, os dois rivais interestaduais cruzam caminhos opostos e só poderiam reviver aquela histórica decisão caso cheguem juntos à grande final.
O fator financeiro e o peso da janela de transferências nas oitavas da Libertadores
Certamente, o desempenho técnico em campo não será o único fator decisivo para o sucesso. A próxima janela de transferências surge como o grande fiel da balança para os clubes que disputam as oitavas da Libertadores. Equipes com enorme poderio financeiro, tais como Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro, possuem fôlego de sobra para reforçar ainda mais seus elencos. Em tese, esses clubes só perderiam seus principais atletas diante de propostas astronômicas do exterior, visto que não necessitam vender ativos para fazer caixa imediatamente.
Por outro lado, a realidade se desenha cruel para equipes de menor orçamento ou em crise política. O Corinthians, por exemplo, lida com mais um incômodo transfer ban nas costas, o que limita drasticamente sua capacidade de reação no mercado. Da mesma forma, a janela pode desidratar times com menor capacidade de investimento no continente, como Independiente Rivadavia, Tolima, Platense, Coquimbo Unido, Universidad Católica e até o surpreendente Mirassol, classificado às oitavas em sua estreia na Libertadores.
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