25 anos de uma das maiores empresas do futebol brasileiro: conheça a Think Ball
O futebol é um dos poucos universos em que talento, gestão e oportunidade precisam caminhar juntos. Atrás de cada contrato, de cada transferência e de cada jogador que brilha em campo, há um mercado silencioso — o dos empresários e agências de agenciamento esportivo. Nesse cenário, poucas empresas conseguiram se manter relevantes por tanto tempo quanto a Think Ball, uma das pioneiras do segmento no Brasil.
Fundada em outubro de 2000 por Marcelo Robalinho, advogado formado pela USP, a Think Ball completa 25 anos de atuação em 2025. Ao longo de sua trajetória, a empresa consolidou um histórico de mais de mil transferências realizadas e o gerenciamento de centenas de atletas, desde jovens promessas até nomes consagrados do futebol profissional. Atualmente, nomes como Mariano (multicampeão pelo Atlético-MG e hoje no América-MG), Patrick (Inter, Atlético-MG, São Paulo, Santos e hoje no Athletico), Lucas Esteves (lateral-esquerdo do Grêmio, ex-Palmeiras), Guilherme (Mirassol), entre outros, compõem a carteira de clientes.
Liedson, Jadson, Douglas, Chicão, Gustavo Scarpa, Yan Couto, Alex Mineiro são outros exemplos de atletas que estão na história da agência.

Marcelo Robalinho, fundador da Think Ball, é o empresário por trás do sucesso da empresa (Divulgação/Think Ball)
Think Ball: escritório moderno e tecnologia de ponta na Zona Sul de São Paulo
O comando da Think Ball parte de um escritório amplo e moderno na Zona Sul de São Paulo. Lá, um time multidisciplinar — com profissionais das áreas de scout, mídia, assessoria jurídica, financeira, performance e comunicação — trabalha para desenvolver não apenas o atleta, mas também a pessoa por trás da camisa.
O diferencial está na tecnologia. A empresa utiliza softwares de análise de dados e desempenho que vão muito além da observação em campo. Essas ferramentas monitoram e prospectam novos talentos, ajudam a mapear oportunidades de mercado e ainda oferecem aos atletas relatórios detalhados de suas atuações.
Além disso, os sistemas projetam e dão insights sobre os próximos adversários, transformando informação em vantagem competitiva.
Think Ball e histórias que marcaram o futebol
A história da Think Ball é também um retrato da evolução do futebol moderno. Apenas dois anos após sua fundação, em 2002, a empresa já realizava sua primeira transferência internacional. Iriney, então meio-campista do São Caetano, foi negociado com o Rayo Vallecano, da La Liga, na Espanha — um feito raro para uma empresa tão jovem.
Pouco tempo depois, em 2004, a tragédia da morte do zagueiro Serginho, também do São Caetano, chocou o país. A Think Ball, que agenciava o atleta, prestou amplo suporte jurídico e humano à família, conduzindo processos bem-sucedidos sem jamais abandoná-los.
Em 2006, a empresa foi responsável pelo primeiro caso no Brasil em que um jogador conseguiu rescindir contrato por racismo. O protagonista foi o goleiro Felipe, então no Vitória, e o episódio abriu precedente jurídico importante no país.
Já em 2014, um movimento ousado chamou a atenção do futebol nacional. A Think Ball intermediou a troca histórica entre Corinthians e São Paulo, que levou Jadson ao Timão e Alexandre Pato ao Tricolor. Um dos acordos mais emblemáticos da última década.
De projetos sociais a produções audiovisuais
O impacto da Think Ball vai muito além das negociações. Em 2018, a empresa passou a gerir um projeto social na Zona Sul de São Paulo, voltado a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Durante a pandemia, lançou o projeto Gol Social, em que a cada gol ou assistência de atletas agenciados, uma cesta básica era doada. O resultado foi expressivo: 4 toneladas de alimentos arrecadadas e mais de 400 famílias beneficiadas em 23 instituições diferentes.
A trajetória da empresa também virou tema de produções. Em 2020, o canal BandSports lançou o documentário “Talentos em Jogo” (clique aqui para assistir), que usa a Think Ball como pano de fundo para mostrar os bastidores do agenciamento esportivo. No mesmo ano, foi lançado o livro “GOL – Gestão, Organização e Liderança”, reunindo depoimentos de nomes como Alexandre Mattos, Andrés Sanchez, Cícero Souza e Rodrigo Caetano, entre outros.
Uma empresa que pensa o futebol — dentro e fora de campo
A Think Ball é presença constante em eventos internacionais, como o Wyscout Forum e o Football Forum, realizados anualmente na Europa. Esse posicionamento global reflete a visão de seu fundador.
Marcelo Robalinho, que cursou Mestrado em Direito Esportivo na Universidade de Neuchatel, na Suíça — instituição que mantém convênio com a FIFA —, acredita que o segredo para o sucesso está na honestidade, lealdade e formação contínua, tanto para atletas quanto para colaboradores.
“Nosso objetivo é que o jogador só precise pensar em jogar bola. Todo o resto nós cuidamos”, resume Robalinho.
Com 25 anos de estrada, a Think Ball segue sendo referência no agenciamento de atletas e na gestão de carreiras no futebol, mantendo um equilíbrio raro entre tradição, tecnologia e propósito.
Entrevista completa com Marcelo Robalinho, fundador da Think Ball
– Como nasceu a ideia de fundar a Think Ball lá no ano 2000?
A ideia da fundação da Think Ball vem muito carregada pela minha parte jurídica, porque eu me formo em 1997, no Largo São Francisco, a Faculdade de Direito da USP, e em 1998 foi promulgada a Lei Pelé. Então, muitas das discussões que aconteceram sobre a mudança da lei, que foi uma mudança de paradigma com o final do passe, foram feitas no Largo São Francisco. E, a partir dali, era um ramo novo no direito, e também surgia uma novidade no mercado: o jogador deveria olhar para si e não depender do clube, como acontecia na época do passe.
E, enxergando essa quebra de paradigma e acompanhando alguns casos jurídicos, eu entendi que caberia fornecer aos jogadores um conceito full service. Não só acompanhar na transferência, não só trazer uma proposta de trabalho, mas sim dar um tratamento global e um planejamento de carreira.
– E o nome “Think Ball”, como surgiu?
Toda vez que você vai abrir uma empresa, você faz vários brainstorms para definir o nome.
E o nome surgiu para resumir o conceito da empresa, que é para o jogador só pensar em jogar bola. Toda a formação da empresa foi feita pensando nisso — que o jogador tenha como única preocupação desempenhar o seu futebol e deixar que todo o contexto que envolve uma carreira seja gerido pela Think Ball. Então, a ideia é transmitir ao nosso cliente isso: que ele vai pensar em jogar bola e nós vamos cuidar do resto.
– O que diferencia a Think Ball das demais empresas no mercado?

Eu posso dizer que a Think Ball é uma empresa diferente das demais que estão no mercado brasileiro por vários aspectos. O primeiro aspecto é que tenho uma formação jurídica que poucas pessoas têm no mercado brasileiro. Isso ajuda demais na hora de entabular uma negociação, na hora de levar para um contrato aquilo que foi negociado. Então, esse aspecto eu acho que é um grande diferencial da Think Ball. Um outro diferencial é que nós temos uma equipe grande trabalhando em prol da carreira dos jogadores. Eu não gosto de um modelo que é muito comum hoje, que é aquele modelo de pessoas que têm muita parceria de jogador.
Então, um jogador tem três, quatro representantes, mas desses três, quatro representantes, todos estão esperando algo chegar e não agregam ao jogador muita coisa além da parte negocial. E nós aqui temos uma preocupação que é agregar ao jogador, além da parte negocial, outras situações, como a parte de análise de desempenho, de mídia, de auxiliar nos investimentos e no controle de orçamento. Então, é um full service que a Think Ball oferece, e eu não vejo muito isso acontecendo em outras empresas.
Eu vejo muito, em outras empresas, aquela situação de, falando no popular, ser babá de jogador — ou seja, fazer as vontades que o jogador tem, e não buscar mostrar para o jogador: “Olha, você quer ter uma carreira longeva, de sucesso e ganhar o máximo possível? Talvez comprar um carro novo nesse momento de carreira não seja o melhor que você vai fazer.” Ou abandonar um clube porque está tendo dificuldade em jogar e voltar para o Brasil quando está na Europa também não é o melhor. Vamos enfrentar o obstáculo, não voltar.
Gestão de carreira
Então, são muitas situações assim que eu posso te dizer que a gente tem como diferencial, porque acompanha o jogador de muito perto. Nós temos investimento em software, que permite ver a parte estatística de evolução. As pessoas que trabalham na empresa têm essa cultura de olhar a longo prazo, não a curto prazo. Nós aqui temos diversos casos de jogadores que você pode dizer “é um jogador mediano”, mas o cara conseguiu fazer uma carreira que muitos outros, com mais talento, não chegaram nem perto. E isso é gestão de carreira.
É lógico que milagre nenhum agente vai fazer para nenhum jogador — o jogador tem que ter a sua condição física, atlética e técnica para desempenhar o futebol. O que a gente consegue fazer aqui é dar bons conselhos, mostrar o caminho certo e errado, usar uma experiência de mais de 25 anos no futebol — e tudo isso faz diferença no final.
– O que você considera mais importante: as conquistas dentro de campo ou o impacto fora dele na vida dos jogadores?
Sem dúvida, o impacto na vida dos atletas, porque as conquistas são efêmeras. Todo ano você tem um campeonato, tem um novo campeão. É lógico que o jogador ser campeão, levantar uma taça, isso é uma memória indelével na vida da pessoa. Mas, para mim, a parte do extra-campo é mais importante.
Você saber que encontrou uma família numa situação de vulnerabilidade econômica e, passados cinco ou oito anos de serviço, ver aquela família num patamar financeiro de duas, três gerações garantidas — isso é muito satisfatório.
E não é só questão de dinheiro. Existem outros casos que a gente vivenciou aqui: o jogador muitas vezes não atinge um patamar para ficar milionário, mas consegue ter uma mudança substancial de vida, um aculturamento, vai para a Europa, para a Ásia, aprende uma nova cultura, um novo idioma e, quando volta e para de jogar futebol, tem uma preparação para seguir a vida e ter um nível de vida bom, satisfatório, recompensante — que não é só ligado ao dinheiro.
– Quais os valores que você considera fundamentais para a cultura da Think Ball?
O mercado de futebol é um mercado que tem um grande problema, que é o problema da lealdade e da honestidade. Então, uma coisa que eu bato muito firme na cultura da empresa é honestidade e lealdade. Porque você precisa ter uma base sólida para construir qualquer coisa. E, como eu disse, infelizmente, no futebol essa não é a regra. Então, o primeiro ponto que eu destaco é esse. O segundo ponto é a formação contínua. É muito importante que as pessoas tenham a ambição de ter um crescimento pessoal, de conhecimento e de evolução. Porque nós passamos isso para o jogador também.
Eu preciso que o jogador entenda que ele tem que evoluir, que ele vive um processo dentro de uma carreira, que tudo não vai acontecer no mesmo momento. E, para isso, os colaboradores da empresa também têm que mostrar, por exemplo, que estão evoluindo. Esse é outro ponto muito forte da cultura da empresa. E, como eu disse anteriormente, a questão de “comprar a briga” do jogador. Porque o jogador e o treinador, no final do dia, acabam sendo solitários. Quando as coisas estão dando certo, tem muito amigo dando tapinha nas costas, querendo fazer churrasco. Mas, quando as coisas não vão bem, desaparece todo mundo.
Então aqui é exigido de todo mundo estar do lado do jogador sempre. E isso faz diferença para o futuro.
– Qual foi o primeiro grande marco que mostrou que a Think Ball estava no caminho certo?
Eu acredito que foram várias situações que a gente pode apontar como exemplo de estar no caminho certo. Foram várias ações bem-sucedidas e, mais importante, feitas de forma honesta e leal, buscando o que realmente era de direito dos nossos atletas, o que acabou levando a empresa a ser reconhecida como uma empresa que defende com unhas e dentes os seus jogadores.E isso se refletiu até em algumas ações judiciais, como o caso de racismo do goleiro Felipe no Vitória, como o caso de algumas liberações que a gente fez por atraso de pagamentos de jogadores importantes e diversos outros exemplos em que a empresa deu a cara a tapa até para o mercado, até para alguns clubes.
Torcedor é apaixonado e muitas vezes não entende que do outro lado tem um trabalhador que não recebeu salários, e nós nos expomos nessas brigas por estarmos do lado do jogador. Acredito que várias atitudes, investimentos com viagens, investimentos no nosso pessoal de scout, cursos e participação em eventos internacionais — são várias coisas que, somadas, te levam ao sucesso.
– Qual foi o primeiro passo ou as ações que levaram a Think Ball a se tornar referência internacional?
Um ponto que eu acho que foi fundamental para o crescimento exponencial da Think Ball internacionalmente foi o fato de que, em 2010, eu fui convidado a fazer um mestrado em Direito Esportivo na Universidade de Neuchatel (na Suíça), que é a universidade que tem um convênio com a FIFA.
A FIFA tem o CIES, que é o Centro Internacional de Estudo do Esporte, em convênio com a Universidade de Neuchatel, e eu fiz um mestrado em Direito Esportivo lá. Fiquei três anos morando em Neuchatel, e nesse período a empresa teve um crescimento muito grande por conta de eu já estar na Europa, das diversas visitas, contatos — a própria universidade era um centro de estudo muito grande.
Foi na época da alteração que terminou com o TPO, o Third Party Ownership, que seria os direitos econômicos que antigamente agentes e empresas investidoras tinham sobre uma venda futura de jogador. Essas discussões jurídicas aconteceram todas na Universidade de Neuchatel, e isso foi muito importante também para esse crescimento e reconhecimento que a Think Ball tem hoje no mercado internacional.
– Como você vê o futuro da Think Ball nos próximos 25 anos?
Essa é uma pergunta muito difícil, até porque eu não sei como imaginar o futebol daqui a 25 anos. Porque, nesses últimos 25 anos que passaram, o futebol mudou demais. As dinâmicas de jogo, de negociação, de network, a tecnologia vem se acelerando cada vez mais. O próprio mercado consumidor — os jovens, as crianças — hoje têm, no entretenimento, uma série de concorrentes ao futebol. Então, é muito difícil dizer, nos próximos 25 anos, como vai estar o futebol e, consequentemente, a nossa empresa. Mas uma coisa que eu tenho certeza é que a parte de tecnologia vai cada vez mais ganhar espaço. E nós aqui estamos preparados para isso.
Hoje temos diversos softwares com inteligência artificial, com imagens, com estatísticas, aplicativos que a empresa oferece para os jogadores acompanharem a performance. Então, há um sem número de atualizações que você tem que fazer diariamente para poder acompanhar essa evolução do futebol. E nós estamos preparados para isso e investimos muito nisso. E uma outra curiosidade: nós também estamos no ramo do eSports. Então, a Think Ball também iniciou investimentos com equipes de eSports, que são jogos eletrônicos, e isso é uma tendência que a gente acredita que vai crescer cada vez mais nos próximos 25 anos.

