Nascido na Espanha, joia da base do Real Madrid é monitorado pela CBF (Foto: Reprodução / Instagram / @bryanbugarin10)
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CBF monitora filhos da diáspora brasileira para evitar perda de talentos para outras seleções

A diáspora brasileira no futebol passou a receber atenção especial da CBF. Inspirada em um trabalho que federações europeias e africanas já realizam há anos, a Confederação Brasileira de Futebol intensificou o monitoramento de jovens talentos espalhados pelo mundo para evitar que futuras promessas acabem defendendo outras seleções nacionais.

De acordo com informações publicadas pelo blog do jornalista Gilmar Ferreira, no Extra, o Departamento de Seleções da entidade já acompanha mais de 30 jogadores nascidos entre 2007 e 2011, que atuam em clubes da Europa, Estados Unidos e Arábia Saudita. O trabalho é conduzido por observadores técnicos que avaliam atletas elegíveis para representar o Brasil nas categorias de base.

O movimento ganhou ainda mais força após a Copa do Mundo de 2026, torneio que voltou a evidenciar o sucesso de seleções que recrutam atletas descendentes de imigrantes, como Espanha, Marrocos e França.

Diáspora brasileira no futebol: jovens Samuele Inácio, Bryan Bugarín e Rafael Belinho monitorados

Três nomes aparecem entre os casos mais emblemáticos acompanhados pela CBF.

O atacante Samuele Inácio, de 18 anos, nasceu em Bérgamo, na Itália, é filho de brasileiro e atua nas categorias de base do Borussia Dortmund. O jovem, que já foi destaque pela Azurra no Mundial Sub-17, reúne condições para defender mais de uma seleção e é um dos jogadores observados pela entidade brasileira.

Atacante Samuele Inácio é filho da diáspora brasileira no futebol e é monitorado pela CBF
Atacante Samuele Inácio defende a Itália mas é monitorado pela CBF (Reprodução/Instagram/@_.samueleinacio._)

Embora a lista oficial da CBF não seja pública, outros nomes surgem como monitorados da entidade.

Entre eles também está Bryan Bugarín, meia-atacante com ligação familiar ao Brasil que atua nas categorias de base do Real Madrid. Ele também é observado pela confederação brasileira para os próximos ciclos de seleções de base. Inclusive, o jovem tem uma multa rescisória que já supera os 75 milhões de euros.

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Outro destaque é o meia Rafael Belinho, revelado pelo Vasco. Em 2021, quando tinha apenas 11 anos, mudou-se para a Croácia após seu pai receber uma oportunidade de trabalho no país. Depois de passar pelo NK Vidobol, ingressou na base do Dinamo Zagreb, onde se tornou um dos principais talentos da categoria.

Hoje naturalizado croata, Belinho desperta interesse do Barcelona, segundo a imprensa espanhola, e aparece entre os jovens acompanhados de perto pela CBF.

A CBF deve ampliar esse acompanhamento nos próximos anos, principalmente porque cada vez mais famílias brasileiras vivem no exterior e seus filhos iniciam a formação em grandes clubes europeus.

Casos anteriores servem de alerta para a CBF

A preocupação da entidade não surgiu por acaso. Nas últimas décadas, o Brasil viu diversos atletas com raízes brasileiras optarem por defender outras seleções. O exemplo mais conhecido talvez seja o de Thiago Alcântara, filho do tetracampeão Mazinho, que fez toda a carreira internacional pela Espanha.

Outro caso é o atacante Rodrigo Moreno, nascido no Brasil e também naturalizado espanhol, além de outros jogadores formados em clubes europeus. Em contrapartida, há o caso do meia Andreas Pereira, atualmente no Palmeiras, que, naturalizado belga, recusou investidas da Seleção da Bélgica ao longo da carreira para vestir a Amarelinha.

Monitorado pela CBF, Rafael Belinho é cria do Vasco e brilha na Croácia (Foto: Divulgação/Dinamo Zagreb)
Monitorado pela CBF, Rafael Belinho é cria do Vasco e brilha na Croácia (Foto: Divulgação/Dinamo Zagreb)

Mais recentemente, Enzo Alves, filho do ex-lateral Marcelo, escolheu defender as categorias de base da Espanha. Nascido em Madri e destaque da base do Real Madrid, ele já veste a camisa da seleção espanhola nas categorias inferiores, embora, pelas regras da FIFA, ainda exista a possibilidade de mudança enquanto não disputar uma competição oficial pelo time principal.

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Situação semelhante ocorre com Isago e Iago Silva, filhos do zagueiro Thiago Silva. Os dois seguem formação nas categorias de base do Chelsea e já participaram de atividades ligadas à Seleção da Inglaterra. Entretanto, por ainda estarem em idade de formação, continuam sendo atletas elegíveis à Seleção Brasileira, dependendo das futuras convocações e competições oficiais que disputarem.

Monitoramento da diáspora brasileira segue tendência do futebol mundial

A iniciativa da CBF segue um modelo já consolidado em diversas federações.

Marrocos, por exemplo, transformou o recrutamento de atletas nascidos na Europa em uma política de Estado do futebol. França, Argélia, Portugal e várias seleções africanas também mantêm departamentos específicos para identificar jogadores com dupla nacionalidade antes que eles façam uma escolha definitiva.

Meia Bryan Bugarín, do Real Madrid, pode defender a Seleção Brasileira (Foto: Reprodução/Instagram/@bryanbugarin10)
Meia Bryan Bugarín, do Real Madrid, pode defender a Seleção Brasileira (Foto: Reprodução/Instagram/@bryanbugarin10)

No Brasil, a ideia é agir cada vez mais cedo, criando vínculos com esses atletas desde as categorias de base e oferecendo oportunidades antes que construam uma identidade esportiva com outro país.

Regras da FIFA tornam a disputa cada vez mais estratégica

O regulamento da FIFA permite que jogadores com múltiplas nacionalidades representem diferentes seleções nas categorias de base. Entretanto, após determinadas participações em competições oficiais pelo time principal, a mudança passa a ser bastante limitada.

Por isso, o monitoramento precoce tornou-se essencial.

Isso porque muitos desses jovens deixam o Brasil ainda crianças em razão de oportunidades profissionais dos pais, ingressam nas categorias de base de clubes europeus e acabam entrando naturalmente no radar das federações locais antes mesmo de serem conhecidos pelo torcedor brasileiro.

Em um cenário de globalização cada vez maior no futebol, identificar e acompanhar os talentos da diáspora brasileira no futebol deixou de ser apenas uma estratégia e passou a ser uma necessidade para a CBF manter viva uma das maiores fontes de jogadores do mundo.