Em 1954, ele caiu morto no gramado da Copa da Suíça. Quatro anos mais tarde, sobreviveu a um acidente de avião. A incrível história de Juan Eduardo Hohberg (Foto retocada por IA a partir de imagem original)
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Ele morreu durante uma semifinal de Copa do Mundo, ressuscitou e continuou jogando: a história do uruguaio Juan Eduardo Hohberg

O futebol sempre produziu histórias improváveis. Contudo, poucas parecem tão inacreditáveis quanto a de Juan Eduardo Hohberg, jogador uruguaio que, literalmente, morreu em campo durante uma semifinal de Copa do Mundo, foi ressuscitado à beira do gramado e, minutos depois, voltou a jogar.

A cena aconteceu em 30 de junho de 1954, na Suíça, diante de milhares de torcedores atônitos. Naquele dia, porém, o futebol deixou de ser apenas um jogo. Afinal, entre gols, suor e caos, um homem literalmente voltou da morte diante de milhares de espectadores no Stade Olympique de la Pontaise, em Lausane.

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Juan Hohberg, o jogador uruguaio que morreu em campo durante semifinal da Copa do Mundo de 1954, mas foi reanimado e voltou a jogar

Juan Eduardo Hohberg: o argentino que virou símbolo do Uruguai

Antes de entrar para a história da Copa do Mundo, Juan Eduardo Hohberg construiu uma trajetória marcada por mudanças, sobrevivência e obsessão pelo futebol.

Nascido em 1927, em Alejo Ledesma, na província argentina de Córdoba, começou como goleiro nas categorias de base. Entretanto, o destino mudou rapidamente sua carreira. Em uma partida das divisões inferiores, faltou um atacante. Colocaram Hohberg no comando do ataque. Ele marcou dois gols. Nunca mais voltou ao gol.

Depois de se destacar no Rosario Central, atravessou o Rio da Prata rumo ao Uruguai para defender o Peñarol. A princípio, a transferência parecia apenas mais um passo profissional. No entanto, o país o conquistou por completo.

Hohberg se naturalizou uruguaio, abraçou a camisa celeste e se transformou em um dos grandes ídolos da história do Peñarol. Inteligente dentro da área, decisivo e frio diante do gol, ganhou um apelido que explicava perfeitamente seu estilo: “El Verdugo”; em português livre, “O Carrasco”.

E ele fazia jus ao nome.

A semifinal da Copa de 1954 que parou o mundo

A semifinal entre Uruguai e Hungria, na Copa do Mundo de 1954, já carregava tensão suficiente antes mesmo de a bola rolar.

Os uruguaios defendiam o título mundial conquistado no Brasil em 1950. Do outro lado, estava a poderosa seleção húngara do lendário Ferenc Puskás, invicta havia mais de 30 partidas e considerada praticamente imbatível, a melhor seleção da época.

Além disso, aquele seria o primeiro jogo de Juan Eduardo Hohberg em Copas do Mundo.

A Hungria dominou boa parte do confronto e abriu vantagem no placar. Consequentemente, o Uruguai parecia perto da eliminação. Contudo, Hohberg apareceu quando sua seleção mais precisava.

Primeiro, diminuiu a diferença com um chute cruzado. Depois, já perto do fim, aos 41 minutos da etapa final, Hohberg aproveitou uma sobra na área e empatou a partida em 2 a 2.

O estádio explodiu.

Então, poucos segundos após o gol, veio o silêncio.

Juan Hohberg, o jogador uruguaio que morreu em campo durante semifinal da Copa do Mundo de 1954, mas foi reanimado e voltou a jogar
Juan Hohberg, o jogador que morreu em campo durante semifinal de Copa do Mundo

Juan Eduardo Hohberg, o jogador que morreu em campo durante uma semifinal de Copa do Mundo, ressuscitou e voltou ao jogo

Depois da comemoração, Hohberg caminhou alguns metros em direção aos companheiros. Subitamente, caiu desacordado no gramado.

Enquanto a partida seguia, integrantes da comissão uruguaia correram para socorrê-lo, para socorrer um jogador morto à beira do campo de jogo. Rapidamente, perceberam a gravidade da situação: o atacante sofrera uma parada cardiorrespiratória.

Naquele tempo, o futebol não possuía a estrutura médica atual. Mesmo assim, os profissionais iniciaram massagens cardíacas e tentaram reanimá-lo à beira do campo. Aplicaram coramina, um medicamento estimulante cardiorrespiratório, que está proibido no esporte desde 1984.

Por alguns segundos — que pareceram eternos — o atacante esteve morto.

Até que abriu os olhos.

Confuso, perguntou o que havia acontecido. Quando ouviu que havia marcado o gol de empate, sorriu. Logo depois, pediu para voltar ao jogo.

E voltou.

Juan Hohberg, o jogador uruguaio que morreu em campo durante semifinal da Copa do Mundo de 1954, mas foi reanimado e voltou a jogar

Sem substituições disponíveis naquela época, o Uruguai manteve Hohberg em campo durante a prorrogação. Embora claramente debilitado, ele permaneceu em pé até o fim da partida.

A Hungria venceu por 4 a 2. Entretanto, em Montevidéu, muitos torcedores comemoravam outra coisa: um homem havia sobrevivido diante do mundo inteiro.

Três dias depois, em 3 de julho, o Uruguai entrou em campo contra a Áustria, em Zurique, então pela disputa pelo terceiro lugar. Hohberg titular. O atacante balançou as redes uma vez.

Ainda assim, a derrota por 3 a 1 definiu o destino da Celeste, que terminou a Copa na quarta colocação.

Queda de avião no Brasil e a segunda sobrevivência

Mas a vida de Juan Eduardo Hohberg ainda reservaria outro capítulo dramático. Quatro anos depois, em 1958, o uruguaio escapou de um acidente aéreo no Oceano Atlântico.

Na época, ele retornava da Europa após negociações frustradas com o Sporting, de Portugal. Durante o voo rumo à América do Sul, problemas mecânicos começaram a surgir.

Primeiro, um motor falhou. Depois, outro. Em seguida, um terceiro motor pegou fogo.

O avião perdeu altitude rapidamente sobre o Atlântico. Diante do desastre iminente, o comandante realizou um pouso forçado no mar no litoral do Rio de Janeiro. A aeronave bateu violentamente na água e pegou fogo após encalhar.

Todos sobreviveram.

Contudo, Hohberg perdeu praticamente tudo o que tinha no acidente – regressou a Montevidéu com um peso uruguaio no bolso. Abalado emocionalmente, decidiu abandonar o futebol. Ainda assim, torcedores do Peñarol iniciaram uma campanha para convencê-lo a voltar.

O “Verdugo” retornou aos gramados e ajudou o clube uruguaio a conquistar títulos nacionais de 1958 e 1959, além da histórica Copa Libertadores de 1960.

O legado eterno de Juan Eduardo Hohberg

Depois de encerrar a carreira como jogador, Juan Eduardo Hohberg também construiu trajetória como treinador. Inclusive, comandou a seleção uruguaia na Copa do Mundo de 1970, no México.

Curiosamente, o Uruguai terminou novamente na quarta colocação — exatamente como em 1954. Inclusive, mais uma vez o destino de Hohberg se cruzava com o Brasil: derrota por 3 a 1 na semifinal para a Seleção Brasileira na campanha do tricampeonato canarinho.

Nos últimos anos de vida, estabeleceu-se em Lima, no Peru, onde trabalhou ligado ao futebol até morrer, em 1996, aos 68 anos.

Seu coração, o mesmo que parou durante uma semifinal de Copa do Mundo, continuou batendo por mais quatro décadas.

E talvez seja justamente por isso que sua história permanece viva até hoje. Porque Juan Eduardo Hohberg não ficou eternizado somente apenas pelos gols, pelos títulos ou pela camisa celeste.

Ele ficou eternizado porque morreu em um campo de futebol… e decidiu continuar jogando. “El Verdugo” realmente fez jus ao nome. O “Carrasco” não apenas decidiu jogos dentro da área. Ele enfrentou a própria morte — duas vezes. E, nas duas, venceu.