Gianni Infantino, presidente da FIFA, divulgou projeto controverso exploração comercial dos torneios da entidade (Foto: Divulgação/fifa.com)
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UEFA ameaça boicotar Copa do Mundo e competições da FIFA; entenda a crise que pode abalar o futebol

A possibilidade de um boicote da UEFA à FIFA abriu uma das maiores crises institucionais da história recente do futebol mundial. Nesta quinta-feira (30), as 55 federações filiadas à entidade europeia aprovaram, por unanimidade, a adoção de um boicote às competições organizadas pela FIFA caso a entidade mantenha o plano de vender uma participação de seus principais torneios para investidores privados.

A decisão representa um duro confronto entre as duas principais entidades do futebol internacional e pode afetar diretamente competições como a Copa do Mundo masculina, a Copa do Mundo Feminina, os Mundiais de clubes e de base e outros torneios promovidos pela entidade máxima do futebol.

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Por que a UEFA ameaça boicotar a FIFA?

O estopim da crise foi um projeto apresentado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, que prevê a criação de uma nova empresa responsável pela exploração comercial dos principais torneios da entidade.

De acordo com a proposta, até 20% dessa companhia seria vendido para investidores privados, em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões. A FIFA, contudo, afirma que manteria o controle esportivo das competições e utilizaria os recursos para ampliar investimentos no desenvolvimento do futebol mundial.

Entretanto, a UEFA considera que o plano representa uma “privatização” parcial da Copa do Mundo e dos demais torneios da entidade.

Em contrapartida, em comunicado conjunto, as associações europeias defendem que a Copa pertence ao futebol mundial e não deve ser tratada como um ativo financeiro.

Entidade cobra transparência

Além da discordância sobre o modelo de negócios, a UEFA também critica a condução e alta de tyranbsparência do projeto.

De acordo com dirigentes europeus, a FIFA não realizou consultas prévias com as confederações continentais nem apresentou detalhes suficientes sobre governança. Sem apresentar, portanto, a participação dos investidores e impactos futuros sobre as competições.

Por isso, os europeus exigem a desistência do projeto e pede garantias jurídicas para impedir iniciativas semelhantes no futuro.

Boicote da UEFA à FIFA: quais podem ser as consequências?

Dessa maneira, caso o impasse permaneça, o futebol mundial poderá enfrentar uma situação inédita.

Se a UEFA cumprir a promessa de boicote, seleções como, por exemplo, Espanha, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Portugal e outras potências europeias deixariam de disputar torneios organizados pela FIFA.

Além disso, clubes europeus também poderiam ficar fora de competições internacionais promovidas pela entidade presidida por Infantino.

Especialistas avaliam que um rompimento dessa magnitude afetaria contratos comerciais, direitos de transmissão, patrocinadores e o calendário internacional, além de provocar um enorme impacto esportivo.

FIFA defende o projeto

A FIFA, por sua vez, sustenta que os investidores não teriam qualquer influência sobre regras, arbitragem ou governança esportiva.

Segundo a entidade, o objetivo seria apenas potencializar receitas comerciais e redistribuir recursos às 211 associações filiadas, fortalecendo, assim, o desenvolvimento do futebol em diferentes continentes.

Mesmo assim, a reação da UEFA demonstra que a proposta dificilmente avançará sem novas negociações.

Crise pode redefinir a governança do futebol

Independentemente do desfecho, o episódio já expõe uma divisão histórica entre FIFA e UEFA.

Nas próximas semanas, dirigentes das duas entidades deverão intensificar as negociações para evitar uma ruptura sem precedentes. Caso não haja acordo, o futebol internacional poderá viver sua maior crise institucional das últimas décadas, colocando em risco a participação das principais seleções do mundo em competições organizadas pela FIFA.