Do futebol para o ciclismo: ex-Fluminense revela que crise de ansiedade o fez optar pelo esporte: “a bike me ajudou muito”.
Uma vez atleta, sempre atleta. Alan Carvalho, 37 anos, se despediu do futebol vestindo a camisa do Fluminense há dois anos, mas não conseguiu se afastar do esporte: o ciclismo é a nova paixão. Ele trocou os campos pelas pistas e ruas, agora como ciclista da equipe de competição de Penápolis, sede da etapa da 6ª Região Esportiva dos Jogos Regionais.
Nascido em Barbosa, cidade vizinha a Penápolis, Alan fez base no Fluminense e surgiu cedo como atacante no time principal, aos 18 anos. Jogou nas Laranjeiras até 2010, quando se transferiu para o Red Bull Salzburg, da Áustria, onde atuou ao lado de Sadio Mané, é ídolo e segundo maior artilheiro da história do clube, com 93 gols. Passou ainda pelo futebol chinês, se naturalizou e vestiu a camisa da seleção.

A bicicleta em que Alan estava mais familiarizado era a ergométrica, que ele pedalava na academia dos clubes, para manter o condicionamento físico. Até que um amigo sugeriu uma pedalada pelas ruas de Barbosa.
“Sempre que vinha de férias ao Brasil, um amigo me chamava pra pedalar. Em 2024, já aposentado, resolvi aceitar o convite“, diz Alan.
Subir em uma bike para competir não estava nos planos de Alan. A ideia era seguir ativo praticando um esporte. Mas a vocação de quem viveu do esporte de alto rendimento por tanto tempo gritou.
“Minha cidade é pequena e não tem equipe de ciclismo. Tenho amigos em Penápolis que pedalam, e eles me chamaram para competir nos Jogos Regionais deste ano. Sou o mais inexperiente da equipe, mas espero ajudar”, afirma.
Ciclismo ajudou Alan a se recuperar de crises de ansiedade: “Graças à bike não faço mais uso de remédios”
Embora o espírito competitivo do ex-atacante do Fluminense permaneça intacto, Alan não dá tanta importância para o resultado final no ciclismo. Para ele, subir ou não ao pódio é só um detalhe. Fundamental é pedalar e ser feliz.
“No final da minha carreira, fui acometido por uma crise de ansiedade. Procurei ajuda psicológica e passei a tomar medicamento. O futebol me deu tudo, mudou a minha vida e a da minha família, mas a pressão externa é muito grande. No ciclismo, a pressão é comigo mesmo: se eu ganhar, ótimo; se eu não ganhar, tudo bem também. A bike me ajudou muito. Graças a ela, não faço mais uso de remédios. Estar nos Jogos Regionais, pedalando com os meus amigos, é a minha maior vitória. Quero me divertir, independentemente do resultado”, explica.
Carreira de Alan tem título de Brasileirão e Seleção da China
Moleque de Xerém, Alan é cria da base do Fluminense e tem uma carreira repleta de títulos antes de pendurar as chuteiras e se aventurar no ciclismo. Inclusive, vestiu a camisa da Seleção da China.
O ex-atacante fez parte da icônica geração do “Time de Guerreiros” do Flu, marcada pela fuga heroica do rebaixamento em 2009 e o título do Brasileirão no ano seguinte. Somando as duas passagens pelo clube, são 101 partidas e 29 gols.

Entretanto, durante a campanha do título de 2010, após fazer ótima dupla de ataque com Fred, foi vendido para o RB Salzburg. Na Áustria, disputou 129 jogos (muitos deles, inclusive, formando dupla de ataque ao lado do senegalês Sadio Mané), e até hoje é ídolo e o segundo maior artilheiro do clube, com 93 gols. Além disso, é bicampeão da liga e da Copa da Áustria.

Em seguida, em 2015, Alan se transferiu para o Guangzhou Evergrande, da China. Realizou mais de 100 partidas pelo clube e conquistou sete taças, entre eles, a Liga dos Campeões da Ásia 2015. Entre 2019 e 2020, acabou emprestado ao Tainjin Quajian e ao Beijing Guoan, e também se naturalizou chinês para defender o país – foram 14 aparições com a seleção chinesa.
De volta ao futebol brasileiro para vestir novamente as cores do Fluminense, em 2022, permaneceu até a temporada seguinte, mas sem sucesso, rescindiu em agosto de 2023 e retornou à China, encerrando a carreira no Qingdao West Coast.

