SAF do Botafogo entra com pedido de recuperação judicial e acirra disputa interna pelo controle
A SAF do Botafogo protocolou, na última quarta-feira (22), um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro. A medida ocorre em meio ao agravamento da crise financeira e amplia a disputa nos bastidores pelo controle da empresa que administra o futebol alvinegro.
Além da solicitação, a SAF pediu à Justiça a suspensão temporária do direito de voto da Eagle Holdings Bidco, acionista majoritária que atualmente está sob intervenção da Cork Gully. De acordo com a diretoria executiva, comandada por John Textor, a administradora estaria utilizando sua posição para “obstruir a chegada de novo capital ao clube de futebol”. Leia aqui a íntegra da nota oficial emitida pela SAF.
O pedido de recuperação judicial tem como objetivo reorganizar as finanças do Botafogo e garantir a continuidade das operações. Entre os efeitos esperados estão a suspensão de execuções e cobranças por até 60 dias, além da proteção de ativos e receitas enquanto a SAF negocia um plano com credores.
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A crise financeira é significativa. Dados obtidos pela ESPN apontam que a dívida da SAF gira em torno de R$ 2,7 bilhões, inclusive com parte relevante vencendo no curto prazo, o que pressiona o fluxo de caixa e limita a capacidade de investimento no elenco.
O movimento, contudo, também se insere em um cenário mais amplo de conflito societário. Em março, credores da Eagle acionaram a Justiça inglesa e conseguiram a nomeação da Cork Gully como administradora judicial da holding. Isso, por sua vez, resultou na perda de poderes de Textor dentro da estrutura global do grupo.
A Eagle é peça central no modelo multiclubes liderado por Textor, que inclui também participações em equipes como o Lyon, da França, por exemplo. Com a intervenção, a holding passou a ter suas decisões estratégicas condicionadas aos administradores, o que intensificou o embate com a gestão do Botafogo.

Disputa nos bastidores do Botafogo vão para além da recuperação judicial
Nos bastidores, o pedido de recuperação judicial é visto como mais um capítulo dessa disputa. Ao tentar suspender o poder de voto da acionista majoritária, a SAF busca ganhar margem de manobra para viabilizar novos aportes e manter o controle operacional do clube.
Enquanto isso, a Cork Gully avalia alternativas para o futuro da Eagle. Não estaria descartada a possível venda de ativos — entre eles a própria SAF do Botafogo — o que adiciona ainda mais incerteza ao cenário.
Dessa forma, o Glorioso entra em um momento decisivo fora de campo. Questões financeiras e jurídicas passam a influenciar diretamente os rumos esportivos e administrativos do clube.
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