Caio Lucas e Marcus Meloni são alguns dos brasileiros constantemente convocados pelos Emirados (Foto: Divulgação)
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Quem são os brasileiros que podem disputar a Copa pelos Emirados Árabes

A seleção dos Emirados Árabes Unidos vive um fenômeno cada vez mais marcante: o protagonismo de jogadores brasileiros que já vestem — ou estão prestes a vestir — a camisa do país do Golfo. Atletas nascidos no Brasil, hoje naturalizados, fazem parte do projeto da federação local para tentar levar os Emirados de volta à Copa do Mundo, algo que não acontece desde 1990.

Nesta data FIFA, uma legião brasileira tem a última chance de classificar a nação árabe para a o Mundial do ano que vem. Na repescagem asiática, a “mini Seleção Brasileira” do continente encara o Iraque em dois jogo que valem a vaga.

Entre os nomes que podem jogar a Copa pelos Emirados estão Caio Canedo, Fábio Lima, Marcus Meloni, Bruno Conceição, Lucas Pimenta, Luan Pereira, Erik Menezes e Caio Lucas. Juntos, eles representam diferentes gerações e trajetórias, mas compartilham o mesmo destino: transformar a seleção emiradense em uma equipe com forte sotaque brasileiro.

De Volta Redonda a Abu Dhabi: o primeiro dos brasileiros na seleção dos Emirados

O movimento começou com Caio Canedo, atacante nascido e revelado pelo Volta Redonda e com passagens por Botafogo, Internacional e Vitória. Ídolo no Al Wasl e atualmente jogador do Al Wahda, Caio se naturalizou em 2020 e passou a defender os Emirados nas Eliminatórias Asiáticas. Ao todo, tem 60 jogos e dez gols pelo selecionado árabe.

Pouco depois, o meia-atacante paraibano Fábio Lima, também destaque do Al Wasl, seguiu o mesmo caminho. Naturalizado no mesmo ano, rapidamente se tornou uma das principais figuras da equipe nacional, somando 21 gols em mais de 40 partidas. Ele deixou o futebol brasileiro há mais de uma década rumo ao país e seu último clube por aqui foi o Atlético-GO em 2014.

Pioneira, a dupla abriu espaço para que outros brasileiros seguissem a trilha da naturalização. Processo que ganhou força com a política esportiva local de valorizar atletas estrangeiros que vivem há anos no país e mantêm bom desempenho na liga nacional.

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Uma nova geração de brasileiros naturalizados nos Emirados Árabes

Nos últimos anos, uma nova leva de jogadores nascidos no Brasil foi integrada à seleção emiradense. Marcus Meloni, lateral formado na base do Palmeiras, e Luan Pereira, ex-Avaí, chegaram ainda jovens aos Emirados e se adaptaram rapidamente ao futebol local.

O zagueiro Lucas Pimenta, ex-Botafogo, o lateral Erik Menezes, revelado pelo Internacional, e o atacante Bruno Conceição, com trajetória construída no Oriente Médio, também foram convocados recentemente.

Por fim, mais recentemente, Caio Lucas, atacante do Sharjah e com passagem pelo Benfica, recebeu a cidadania e passou a ser elegível para a seleção. O grupo, em sua maioria, atua há várias temporadas na UAE Pro League, o campeonato nacional, o que fortalece o vínculo com o futebol local e atende às exigências da FIFA para mudança de nacionalidade esportiva.

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Naturalização como estratégia esportiva

A presença de brasileiros na seleção dos Emirados Árabes Unidos não é fruto do acaso. Nos últimos anos, a federação local tem adotado uma política de naturalização para reforçar o elenco com jogadores experientes e adaptados ao país.

A legislação foi flexibilizada em 2020, permitindo que estrangeiros que residam há tempo suficiente, tenham boa conduta e contribuam para o desenvolvimento do esporte possam requerer a cidadania. Inclusive, neste último ciclo, a seleção comandada por Paulo Bento (ex-Cruzeiro) também convocou jogadores oriundos da Croácia e Portugal. O objetivo é elevar o nível técnico da equipe e tornar a seleção mais competitiva no cenário continental. Isto é: chegar à Copa.

Os resultados começam a aparecer. Jogadores formados no Brasil têm se destacado por sua capacidade técnica, ajudando a consolidar um estilo mais ofensivo e criativo.

Debate sobre identidade e formação local

Apesar do bom desempenho, a presença de tantos naturalizados também gera discussões dentro do país. Parte da imprensa local considera a naturalização uma estratégia legítima para acelerar o desenvolvimento da seleção. Por outro lado, outros defendem que a prioridade deveria ser o investimento na formação de jovens talentos emiradenses.

De qualquer forma, o grupo de brasileiros conquistou respeito no vestiário e entre torcedores. Muitos deles vivem há anos no país, falam o idioma, participam de ações comunitárias e se dizem gratos pela oportunidade de representar a nação que os acolheu.

Rumo à Copa do Mundo de 2026

Os Emirados Árabes Unidos disputam a repescagem e ainda sonham com a vaga na Copa dos Estados Unidos, México e Canadá. Caso o objetivo se concretize, o feito simbolizará não apenas o retorno do país ao torneio após 36 anos, mas também a consolidação de uma equipe multicultural — com o talento brasileiro no centro da identidade do futebol emiradense.

Para esses brasileiros seria a coroação de uma trajetória que começou nos gramados daqui, mas que ganhou novo significado no deserto dos Emirados com a realização do sonho de disputar uma Copa do Mundo.


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