Das quatro equipes brasileiras, somente uma avançou às oitavas (Divulgação)
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Sul-Americana: Fiasco brasileiro nos playoffs

Após uma primeira rodada de playoffs decepcionante para o futebol brasileiro na Copa Sul-Americana, o desfecho desta fase foi mais um fiasco dos clubes do Brasil na competição. O país já tinha apenas um representante nas oitavas, o Fluminense, único a liderar sua chave na fase de grupos. E somente uma equipe das quatro que ainda restavam se juntará ao Tricolor carioca no próximo mata-mata em busca da Grande Conquista.

Os primeiros a irem a campo nas partidas de volta desta fase foram Bahia e Vasco, na última terça-feira. Depois de poupar praticamente todos os titulares no confronto de ida, Rogério Ceni escalou a força máxima disponível para o Tricolor de Aço. Sem Everton Ribeiro, expulso na Fonte Nova, o time foi a campo com o tinha de melhor, porém saiu derrotado da Colômbia. Por sua vez, o Cruzmaltino não conseguiu reverter a goleada sofrida para o Independiente del Valle no Equador. Sequer venceu em casa.

Quarta-feira, o Grêmio recebeu o Alianza Lima após o revés de 2 a 0 e uma partida apática na capital peruana. Em campo, entretanto, os mesmos problemas. Fragilidade, falta de ímpeto criativo e, apesar da casa gremista lotada pela torcida, empate e eliminação.

O último a entrar em ação foi o Atlético-MG, em semana conturbada devido a atrasos de salários, premiações e fundo de garantia que acarretaram um movimento em massa de boa parte do elenco em notificar o clube. Importantes peças do elenco, como Guilherme Arana, Gustavo Scarpa, Igor Gomes, Júnior Santos e Rony, por exemplo, estão nessa lista. Porém, no gramado sintético da Arena MRV não faltou entrega. Faltou melhor pontaria para concluir as muitas chances de gol, mas classificação veio. E veio graças a Éverson, herói atleticano que classificou o Galo às oitavas de final nos pênaltis.

Bahia na Sul-Americana: de favorito a eliminado nos playoffs

Os baianos entraram com outro espírito no jogo de volta dos playoffs da Sula. Não que tenha faltado ímpeto no primeiro jogo, longe disso. Mas, sobretudo, pela escalação. Após poupar oito titulares na ida, Rogério Ceni escalou os que tinha de melhor. Contudo, mesmo assim, o Bahia trabalhou mal. Esperava-se que o clube que veio da Libertadores fosse superior ao oriundo da segunda colocação da fase de grupos da Sula. Mas não. Dois gols, um em cada tempo – o primeiro, em erro coletivo defensivo.

O Bahia tinha time para sair classificado (e brigar pelo título), mas os muitos erros não passaram batido pelo América de Cali. Dá a entender que a parada para o Mundial de Clubes não foi bem aproveitada pelo plantel. Decepcionante.

Coleção de vexames do Vasco nesta Sul-Americana

Apesar de o Vasco colecionar vexames na competição (lembremos: empate em 3 a 3 com o Melgar-PER após abrir 3 a 0, goleada de 4 a 1 para o Puerto Cabello-VEN e passeio do Del Valle-EQU, por 4 a 0, no primeiro jogo dos playoffs), o torcedor marcou presença em São Januário e demonstrou apoio no início do jogo de volta contra o Del Valle. O ataque desperdiçou duas chances claras na primeira meia hora.

Quatro minutos mais tarde, porém, o golpe (mais um) fatal. Bola aérea e gol do time equatoriano. O humor da arquibancada, então, mudou completamente. Vaias ao elenco no intervalo, xingamentos à diretoria e, inclusive, parte da torcida virou de costas para o gramado quando a bola rolou na etapa final. Vegetti chegou a empatar, mas o embate seguiu melancolicamente para o fim. A Sula, que segundo a diretoria era o grande objetivo vascaíno da temporada, culminou com o maior fiasco do time na temporada. No entanto, foco, agora, única e exclusivamente voltado à Série A do Brasileirão, em um ano trágico para o time no cenário continental.

Insosso, Grêmio cai sem nunca empolgar

Zagueiro Kannemann em ação pelo Grêmio na Sul-Americana

A apatia demonstrada pelo Grêmio no Peru não ficou para trás. Mais de 45 mil tricolores foram à Arena apoiar, mas o time sequer acertou uma bola no alvo em todo o primeiro tempo. Novamente, o que se viu dentro de campo foi um time sem repertório, frágil, pouco criativo, e com suas principais peças ofensivas bastante apagadas. Na etapa final, desesperado, talvez, o Tricolor melhorou e tomou conta das ações. Mas pouco ainda se via em termos de qualidade criativa e ofensiva e o gol veio em lance de bola parada.

Porém, o 1 a 0 era insuficiente para a classificação, e o banho de água fria veio no finalzinho, com lei do ex e gol do veterano Hernan Barcos para selar a queda do Imortal na Copa Sul-Americana.

Éverson salva e Galo está nas oitavas da Sul-Americana

Goleiro Éverson vibra após marcar o gol de pênalti que classificou o Atlético-MG para as oitavas de final da Copa Sul-Americana

Um jogo abaixo do Atlético-MG na Colômbia, porém com vitória pelo placar mínimo. Em casa, entretanto, o contrário. Volume de jogo, muitas chances de gol (desperdiçadas) e derrota por 1 a 0 no tempo normal. A apreensão tomou conta do torcedor atleticano no último jogo da rodada de playoffs da Sula, isso porque o Galo decidia em casa com a vantagem do triunfo conquistado na ida, na Colômbia, mas não conseguiu matar o confronto e se viu na agonia de decidir nas penalidades máximas. Scarpa e Bernanrd desperdiçaram, mas Éverson brilhou.

E brilhou muito. Acertou o canto em todas as penalidades, defendeu dois pênaltis e, cheio de personalidade e, sobretudo, confiança, foi pra última cobrança converter e classificar o Atlético-MG. Vaga assegurada. O único time brasileiro classificado nos playoffs da Copa Sul-Americana.

Como ficam as oitavas de final

Alianza Lima-PER x Universidade Católica-EQU

Universidad de Chile-CHI x Independiente-ARG

Central Córdoba-ARG x Lanús-ARG

América de Cali-COL x Fluminense

Bolívar-BOL x Cienciano-PER

Atlético-MG x Godoy Cruz-ARG

Independiente del Valle-EQU x Mushuc Runa-CHI

Once Caldas-COL x Huracán-ARG

(*À esquerda, clubes classificados nos playoffs)

Fotos:
Rafael Rodrigues/EC Bahia

Matheus Lima/Vasco
Lucas Uebel/Grêmio
Pedro Souza/Atlético-MG


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