Neymar sofreu duras críticas ao longo da carreira por supostos exageros e simulações (Reprodução/Rede Social)
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Ex-árbitro sobre Neymar: Quanto mais se contorcia, mais eu deixava o jogo seguir”

Em entrevista à revista alemã Focus, o ex-árbitro Felix Brych contou sobre sua longa experiência no futebol e apontou Neymar como um jogador “lendário” quando o assunto é simulação. Para o juiz recém-aposentado dos gramados, o semblante do craque brasileiro dava o tom da gravidade (ou não) da falta recebida.

Na conversa com a publicação, Brych foi questionando sobre quem faz os melhores mergulhos no futebol mundial e foi categórico:

Neymar era praticamente lendário (em se jogar). Quanto mais o rosto dele se contorcia de dor, mais calmamente eu deixava o jogo acontecer. Um jogador com muita dor cai imediatamente no chão e não rola pelo campo para sempre.

O árbitro, com mais de 800 jogos no currículo, revelou que observava a reação dos jogadores ao seu redor diante de uma possível infração para ajudar a entender a gravidade do lance.

“Você tem que entender intuitivamente. Eu vejo o quadro todo, não apenas os jogadores diretamente envolvidos. Muitas vezes, consegui dizer pelas reações das pessoas ao meu redor se foi uma falta ou não. Se eles olharam para mim primeiro, não poderia ter sido tão ruim. Se a preocupação deles com o companheiro de equipe ou a reação deles em relação ao adversário fosse maior, então as coisas pareciam diferentes.”, afirmou o árbitro de duas Copas do Mundo.

Quem é Felix Brych

Após 21 anos de carreira, o alemão Felix Brych, então, se retirou dos gramados após aos 49 anos de idade. Ao todo, apitou 858 jogos oficiais, sendo três em Copas do Mundo (2014, no Brasil, e 2018, na Rússia), 359 no Campeonato Alemão e 69 na Champions League (inclusive, uma final). Além disso, comandou partidas das Copa das Confederações (2013), Jogos Olímpicos de Londres (2012) e duas edições de Eurocopa (2016 e 2020)

Formado em Direito, Brych começou na arbitragem em 1999 em ligas amadoras da Alemanha, chegou à Bundesliga em 2004 e em 2007 passou a integrar o quadro internacional de arbitragem da FIFA.

“Foi como uma libertação. Tenho que ser sincero. Uma libertação depois de 21 anos de esporte profissional. Eu vivi uma ótima fase, que agora terminou com uma decisão consciente. Tive que me esforçar ao máximo repetidamente, e a recuperação estava se tornando cada vez mais difícil. Agora eu podia me soltar. Minha família e amigos estavam no estádio e, no final, em campo. Foi emocionante. Comemoramos juntos.”, contou sobre a aposentadoria. “Felizmente, consigo lidar muito bem com a pressão como pessoa. Encaro isso como um privilégio.”, completou.

Curiosidades e cartão amarelo para Neymar

Natural de Munique, Felix Brych nunca apitou uma partida do Bayern em 26 anos de carreira e mais de 350 jogos de Bundesliga. Isso porque a Federação Alemão impede árbitros de trabalharem em partidas que envolvam clubes da região onde nasceram.

Ele foi o árbitro em três partidas da Seleção Brasileira: os amistosos Dinamarca 1 x 3 Brasil (dois gols de Hulk e outro contra), em 2012, e, nada menos que Brasil 1 x 0 Argentina, em 2018, na Arábia Saudita, com gol do zagueiro Miranda aos 48 minutos do segundo tempo. Neste jogo, Neymar foi advertido com amarelo – mas por cometer falta. Por fim, também em 2012, conduziu Brasil 3 x 2 Honduras nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Leandro Damião (2) e Neymar balançaram as redes.

Inclusive, o ex-árbitro comandou uma partida de clube brasileiro na carreira. Aconteceu no Mundial de Clubes (atual Intercontinental) de 2018, na semifinal entre Grêmio e Pachuca. O Imortal venceu por 1 a 0, com gol de Everton Cebolinha na prorrogação. Kannemann, Ramiro e Jael foram advertidos por ele com cartão amarelo.

A entrevista original e na íntegra de Felix Brych à Focus você confere aqui.


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