Premiado documentário “Bola Pro Alto!” chega ao streaming e à TV em dezembro
Depois de percorrer festivais de cinema e esporte em diferentes países e conquistar o Prêmio Especial de Melhor Longa-Metragem no Sports Movies & TV – Milano International FICTS Fest, considerado o Oscar do cinema esportivo, o documentário Bola Pro Alto!, dirigido pela cineasta Cecília Lang, tem data para estrear. O premiado longa chega na TV pelo Canal Brasil e nas plataformas de streaming (Claro TV e Vivo Play), a partir de 4 de dezembro. No mesmo dia, uma exibição pública no Rio de Janeiro marcará a chegada do filme nas plataformas.
Produzido pela Lúdica e Viralata, com distribuição da Bretz Filmes, o filme acompanha a trajetória da altinha. Febre nas praias brasileiras, o jogo coletivo nasceu nas areias cariocas, mas hoje é praticado em todo o mundo. Mais do que um esporte, a altinha é retratada como um modo de vida: livre, colaborativo e guiado pelo prazer de manter a bola no ar.
A ideia nasceu do desejo de um grupo de amigos de registrar a roda que mantinham há dez anos nas praias do Rio. No entanto, ao se deparar com a pesquisa e com a dimensão do fenômeno, Cecília percebeu que havia ali muito mais do que uma simples brincadeira. Primeiramente, o plano era para um curta-metragem, mas foi além:
Quando comecei a investigar, entendi que aquela bola contava a história de várias gerações. Não era apenas sobre um esporte, mas sobre um movimento que atravessa tempo, lugares e pessoas.
Documentário Bola Pro Alto!: uma narrativa sensível sobre a altinha
Com uma narrativa leve e sensível, Cecília conduz o documentário em primeira pessoa, entrelaçando depoimentos, lembranças e imagens poéticas do jogo. O filme, aliás, reúne nomes conhecidos como Evandro Mesquita, Cynthia Howlett, Karina Vela e Marcelo Adnet, além de personagens que marcaram a história e o presente da modalidade, como Rafaela Fontes (campeã mundial de Teqball), Lorena Bichuter (fundadora da primeira escola de altinha para mulheres) e o veterano Benedito Nascimento, um dos primeiros barraqueiros de Ipanema.
Entre as muitas transformações que o filme registra, destaca-se a crescente participação feminina, hoje presente em todas as praias e campeonatos — que, inclusive, exigem pelo menos uma jogadora em cada equipe. Para Cecília Lang, essa presença simboliza uma virada importante:
A altinha se tornou um espaço de encontro e empoderamento. É o retrato de uma geração.
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Documentário Bola Pro Alto!: o conceito de flow e a experiência coletiva
A diretora define o filme como “um retrato de época e um registro da nossa cultura praiana e urbana, que fala sobre cooperação, liberdade e alegria — valores que ultrapassam fronteiras e unem pessoas em torno do simples desejo de não deixar a bola cair”. Na contramão da gravidade, deixar a bola no ar é também a vontade de estar e fazer junto e chegar ao estado de sintonia perfeita: o flow.
O flow (como é chamado pelos jogadores) é um período longo em que a bola não cai, uma espécie de transe coletivo. Na psicologia, especialistas chamam esse estado de sentimento de fluxo e o descrevem como um estado mental de hiperfoco. Em outras palavras, é o resultado da prática de atividades que promovem uma espécie de êxtase para quem realiza.
É um estado altamente viciante que além do prazer momentâneo irradia emoções positivas combatendo a depressão e as frustrações da vida diária. A altinha vem proporcionar o bem-estar coletivo que prescinde das palavras, dinheiro ou classe social e de forma democrática integra e empodera, explica a diretora.

Premiações e reconhecimento internacional
Além do “Oscar do cinema esportivo”, o documentário recebeu a Medalha de Prata no CineEsporte. O filme teve exibições em festivais como Cinefoot, 20º Festival Internacional de Cinema de Futebol (Berlim) e mostras em Portugal, Itália, Estados Unidos e Japão. Bola Pro Alto! é, sobretudo, reconhecido pela crítica e pelo público por sua estética vibrante e pelo olhar afetivo sobre o fenômeno da altinha.
Trilha sonora e identidade cultural
A trilha acompanha a viagem no tempo proposta pelo filme. Rodrigo Sha costura com maestria as diferentes sonoridades de cada década, unindo composições originais e canções incidentais de Qinho e Pepe Barcellos, com participação de Juju Gomes — todos trazendo em seu DNA a cultura carioca de praia. Entre as faixas, destaca-se um remix inédito de “Você Não Soube Me Amar”, da Blitz. A canção, aliás, reforça o clima afetivo e solar que atravessa o filme.
Assista aqui ao trailer oficial do documentário Bola Pro Alto!
Ficha técnica resumida
Direção: Cecília Lang
Produção executiva: Cecília Lang e Gabriel Corrêa e Castro
Produtoras: Lúdica e Viralata
Trilha sonora: Rodrigo Sha
Distribuição: Bretz Filmes
Exibição: Canal Brasil e plataformas Claro e Vivo (a partir de 4/12/2025)

